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Médicos brasileiros realizaram no início desta semana o primeiro transplante de ilhotas pancreáticas do País, procedimento que dá aos pacientes com diabete do tipo 1 uma nova esperança de cura.
No último domingo, uma paciente de 45 anos, que sofria de diabete há 25 anos, recebeu o implante de ilhotas pancreáticas - estruturas que contêm as células beta responsáveis pela produção de insulina- no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Ela corria risco de morte se não fosse submetida ao procedimento.
"O transplante foi muito bem-sucedido, não poderia ser melhor", disse à Reuters Mari Cleide Sogayar, uma das coordenadoras do projeto de pesquisa, na quinta-feira. "Ela foi liberada na terça-feira e passa muito bem.
O procedimento envolve o isolamento e a purificação das ilhotas pancreáticas de doadores já mortos. Depois, essas estruturas são implantadas no fígado de pacientes com diabete do tipo 1, que dependem de diversas injeções diárias de insulina para controlar a taxa de açúcar no sangue.
"Durante o implante, uma agulha é guiada por ultra-som até a veia porta do fígado. Depois, é introduzido um tubo, por onde são injetadas a ilhotas", explicou Sogayar, coordenadora do laboratório de purificação de ilhotas do Instituto de Química (IQ) da Universidade de São Paulo (USP).
Segundo ela, a função hepática da paciente está "100% normal e controlada".
Sogayar ressaltou, no entanto, que provavelmente a paciente precisará ser submetida a mais um transplante. "Um implante não é suficiente. A quantidade de ilhotas isoladas e implantadas corresponde a 25 a 40% do total presente no pâncreas."
Por isso, a paciente ainda depende de injeções de insulina para manter a taxa normal de açúcar. Mas a quantidade é muito menor, segundo Sogayar. A paciente também está tomando drogas imunossupressoras, para evitar a rejeição do implante.
A coordenadora destacou que experimentos canadenses obtiveram bons resultados com o procedimento. "Há pacientes livres de insulina, totalmente curados, em períodos que variam de um a dois anos e meio. No entanto, não temos observações de longo prazo", acrescentou ela.
Inicialmente, o projeto pretende atender nove pacientes com quadro mais severo da doença, segundo Sogayar. O projeto, criado há mais de dois anos, é desenvolvido na Unidade de Ilhotas Pancreáticas Humanas, do IQ da USP e é apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), pela USP e pelo Albert Einstein.
Reuters/Yahoo, 06/12/02
Pesquisadores de Israel acabam de anunciar a obtenção de células pancreáticas produtoras de insulina a partir das células-tronco (stem-cells) e que podem posteriormente serem transplantadas em outros orgãos como o fígado.
Esse é um avanço muito importante, principalmente para os diabéticos do tipo 1 que apresentam doença auto-imune contra as células beta do pâncreas, tornando-os dependentes de injeções de insulina.
As crianças chegam a necessitar de duas ou mais doses de insulina diárias.
O trabalho publicado no Jornal da Associação Americana de Diabetes aparece no momento em que há um grande debate no Congresso Americano sobre os valores éticos do uso das células embrionárias.
Até o momento, o único meio de cura do Diabetes tipo 1 é por meio do transplante de pâncreas, mas as técnicas cirúrgicas são ainda insatisfatórias, além de não existir doadores suficientes. É, portanto, muito importante estimular estudos nos quais outras células passem a produzir insulina.
Pesquisas usando células tronco estão sendo vetadas nos Estados Unidos, e o governo americano tem se negado a financiar qualquer estudo que as envolva.
Na semana passada, o Papa João Paulo II também condenou tal tipo de pesquisa.
Por outro lado, 80% da população americana aprova o apoio a
tal tipo de pesquisas, principalmente pelas possibilidades de melhora clínica
aos
portadores de Parkinson e Doença de Alzheimer.
Calcula-se, por dados indiretos, que no Brasil existam de 200 mil a 500 mil diabéticos do tipo 1.
Embora
ainda exista um longo caminho ético e científico a ser percorrido, as
perspectivas de um tratamento adequado para os diabéticos tipo 1 são muito
animadoras.
Tempo Real, 31/07/01
Novo Nordisk inicia vendas de insulina de ação rápida.
Fonte: O Estado de São Paulo, 21/05/02
Viviane Mottin
São Paulo - O laboratório dinamarquês Novo Nordisk iniciará a comercialização do NovoRapid, um análogo de insulina de absorção ultra-rápida, que entra em ação após 10 minutos da aplicação subcutânea no organismo. A insulina regular leva entre 30 minutos e 40 minutos para agir. O diferencial já é oferecido no Brasil pelo laboratório norte-americano Eli Lilly, que importa e revende há três anos. O termo ‘análogo’ deve-se à modificação exercida sobre a molécula da insulina regular para se chegar à de ação ultra-rápida.
Segundo o diretor-médico do Novo Nordisk para a América Latina, José Machado de Assis Moura, o laboratório pesquisou e desenvolveu a mudança de um aminoácido na estrutura da molécula, fazendo com que ela entre em atividade com maior rapidez. "A vantagem para o paciente diabético é que acaba o problema da imprevisibilidade sobre certos horários, como o das refeições", disse o especialista.
De acordo com o diretor, devido à agitação do dia-a-dia, tanto adultos quanto crianças têm certa dificuldade para prever o horário das refeições. "A insulina comum exige um período muito maior para entrar em ação. Enquanto a de atividade rápida pode ser injetada um pouco antes ou depois da refeição", detalhou.
Chegada
O primeiro lote da NovoRapid (insulina Aspart), importado da única fábrica do produto do Novo Nordisk no mundo, instalada na Dinamarca, já está no Brasil. Nos próximos dias, será realizada a distribuição, para que as vendas no varejo sejam iniciadas a partir de 1º de junho. A insulina ultra-rápida pode ser aplicada com o NovoPen 3 ou com o Innovo, aparelhos desenvolvidos pelo Novo Nordisk especialmente para essa finalidade.
O tratamento do diabetes exige maior ou menor dose de insulina, conforme o tipo de paciente atingido. Mas o médico calcula que a maioria dos pacientes poderão fazer o tratamento mensal ao custo máximo de R$ 110, preço da caixa com cinco refis de três mililitros cada um. O tratamento com insulina regular (comum) sai por R$ 70 mensais.
O preço de fábrica da NovoRapid é de R$ 79,96, enquanto a insulina normal sai por R$ 50,69, para o tratamento durante um mês. José Moura informou que o Ministério da Saúde não mostrou interesse no produto. Tanto o Novo Nordisk quanto o Eli Lilly, além do Aventis, concorrem em licitações públicas para a venda de insulina ao Ministério da Saúde, que é distribuída gratuitamente à população por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
Local
O diretor médico não soube informar se o produto poderá ser fabricado nas instalações da Biobrás, em Minas Gerais, adquirida em dezembro passado pelo Novo Nordisk. Ele apenas lembrou que o negócio foi congelado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e, por enquanto, nenhuma atitude inovadora poderá ser tomada pelo novo proprietário dinamarquês.
A insulina produzida pelo Biobrás usa processos mais antigos do que a sintetizada pelo Novo Nordisk. Já a do tipo ultra-rápida exigiria investimentos em uma divisão produtiva à parte da fabricante de insulina regular.
O Estado de São Paulo, 21/05/02
Fonte:
Jornal da Tarde, 11/11/02
A diabete já é considerada uma epidemia mundial. Há 150 milhões de
diabéticos no mundo e, daqui a 25 anos, esse número será o dobro. A Ásia e
a América Latina serão as regiões mais afetadas. Hoje, a maior incidência
da doença está na América do Norte, onde 7,8% da população sofrem da enfermidade.
Só os Estados Unidos gastaram US$ 110 bilhões no ano passado no tratamento
da doença.
Os diabéticos têm três vezes mais possibilidade de sofrer um enfarte e 20 vezes mais chances de precisar de uma amputação. Também é a causa mais comum de cegueira em adultos. A cada dia, 60 norte-americanos ficam cegos por causa da doença e 150 têm algum membro amputado.
Por causa das constantes mudanças hormonais, as mulheres estão mais sujeitas a terem diabetes do que os homens. E, quem mora na zona urbana, corre três vezes mais risco de desenvolver a doença do quem vive na área rural.
A diabete é a produção ou a ação insuficiente da insulina e se manifesta em dois tipos. A diabete tipo 1 costuma ocorrer na infância. Por algum motivo, que os médicos ainda desconhecem, o sistema imunológico se confunde e acaba destruindo as células beta, responsáveis pela produção de insulina. Já a diabete tipo 2 - responsável por 90% dos casos da doença - é a diminuição progressiva da produção de insulina e ocorre, geralmente, após os 40 anos.
Sede e urina em excesso são sintomas
A doença pode demorar décadas para se manifestar e alguns dos sintomas são perda de peso, excesso de sede e de urina. A quantidade normal de glicose no sangue é entre 90 e 110 miligramas. De 111 a 125, é a zona de intolerância à glicose e, a partir de 126, há o diagnóstico de diabete.
Para evitar a doença é preciso manter uma alimentação saudável e fazer exercícios, já que ela está ligada à obesidade, além da hereditariedade. A diabete pode causar uma série de complicações, entre elas problemas nos olhos, no coração e nos rins.
Cerca de 80% dos pacientes com a diabete tipo 2 acabam morrendo por causa dessas complicações, sendo que os problemas cardiovasculares são a principal causa de morte.
O tratamento inclui medicação, controle do peso e, em alguns casos, a aplicação de insulina no organismo.
Jornal da Tarde, 11/11/02
Um estudo realizado em 2002, com 22 pacientes, no Ambulatório de Diabetes do Hospital das Clínicas (SP), constatou que fazer a contagem dos carboidratos das refeições pode provocar uma melhora de 14% na taxa de açúcar no sangue. "A literatura aponta que uma redução de 5% já é significativa", diz a endocrinologista Karla Melo, do HC. Os carboidratos são de dois tipos: simples (açúcares e doces em geral, leites e derivados e frutas e sucos de fruta) e complexos (cereais e derivados, tubérculos e leguminosas). A contagem de carboidratos é recomendada desde 1994 pela Associação Americana de Diabetes, pois mais de 90% desses nutrientes se transformam em glicose (açúcar) circulante no sangue após as refeições. Pode ser feita por portadores de diabetes tipo 1, responsável por 10% dos casos da doença, que, em geral, se manifesta na infância ou na adolescência, e diabetes tipo 2, mais comum em adultos e associado a problemas como obesidade e sedentarismo.
Segundo a médica, uma dieta saudável possui 60% de carboidratos, e o limite diário varia segundo o sexo, o peso e o grau de atividade física exercido pela pessoa. Para ensinar como contar carboidratos, o Nead (Núcleo de Excelência em Atendimento ao Diabético), do HC, está oferecendo um curso todas às terças-feiras, das 10h30 às 12h30. "O paciente aprende a fazer cálculos baseados nas informações dos rótulos das embalagens, na quantidade ingerida e nas tabelas com os carboidratos em medidas caseiras (colher de sopa, de chá, copo americano etc.), planejando sua alimentação", explica a médica. O aluno também recebe um livreto com tabelas contendo os mais diferentes produtos e a respectiva quantidade de carboidratos. Você fica sabendo, por exemplo, que um sanduíche de queijo quente possui 29 g de carboidratos, enquanto um Bic Mac tem 41 g.
Curso Aprenda a Contar Carboidratos: inscrições com Norisa, pelo telefone 0/xx/11/3066-7467. Quanto: R$ 25 e R$ 10 para pacientes do Hospital das Clínicas.
Vinícius Carrasco, free-lance para a Folha, 28/02/03
Fonte: Folha
de S. Paulo, 27/01/03
Nos portadores de diabetes, por muitos anos podem surgir danos na retina, a região do fundo do olho que transmite ao cérebro as impressões visuais. Estes danos resultam na doença denominada retinopatia diabética, uma das principais causas evitáveis de cegueira. O tratamento é realizado com eficácia através da fotocoagulação com raios laser.
Entretanto, levantamentos realizados em vários países indicam que de 30% a 50% desses pacientes deixam de ser submetidos regularmente a um controle oftalmológico. Por isso, os médicos estudam a melhor forma para manter a frequência do exame do fundo de olho nos pacientes diabéticos, já que o problema não só pode como deve ser descoberto precocemente e existe tratamento.
Com base em 20.570 exames oftalmológicos realizados em 7.600 pacientes, Naveed Younis e colaboradores sugerem na revista médica inglesa "The Lancet" os intervalos de tempo entre os exames. Para os diabéticos sem retinopatia, recomenda-se fazer exame a cada três anos; sem retinopatia, mas que usam insulina ou é diabético há mais de 20 anos, exame anual; problemas na retina, exame a cada quatro meses.
O importante é que os diabéticos devem fazer consultas frequentes com o oftalmologista.
E-mail: julio@uol.com.br
Folha de S. Paulo, 27/01/03
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